Eis que acordo e estou diante de um velho dilema: quem realmente sou e o que realmente espero da vida? Mais uma vez, encontro-me sem nada, como diz Nando Reis, sem chão, nem escada, esperando que, de alguma forma, minha vida renasça.
Não sobraram nem cinzas de onde ressurgir: meu pequeno ateliê de brigadeiros, que existia virtualmente nas redes sociais, parece ter desaparecido junto com o último post. O último centavo guardado em minha conta corrente sumiu da mesma forma, nas mãos de um ladrão virtual. As fotos, as receitas, os utensílios, a cozinha, tudo agora me parece sem propósito e sem valor. Gastei um tempo enorme construindo nome, fama, ideias e tudo, de repente, parece lembrança de um tempo muito distante, embora minha fabriqueta tenha fechado as suas portas há apenas um mês.
Está certo, ficaram a experiência, o crescimento, o conhecimento. Ficou um certo alívio de poder voltar a cozinhar somente por fome ou por prazer. Mas quando se tem dois filhos pequenos, marido, casa e contas (muitas, aliás), não dá para ficar se lamentando por muito tempo. Logo, o espelho nos exige a resposta do que vem depois. A vida não pára. Todos sabemos. Mas eu bem que queria um dia inteiro debaixo de uma coberta, só para chorar minhas mágoas, minhas perdas e meus fracassos.
Sem choro nem vela, abracei um novo projeto, talvez mais para velho e antigo projeto, que retirei amassado da lata de lixo, com as letras de NUNCA MAIS. Meu nunca durou o tempo da necessidade, que me fez entender, finalmente, que não se vive de poesia, e que o preço do arroz - Deus me livre! - está cada dia mais absurdo.
Voltei aos estudos e deixei este pequeno espacinho para tentar entender onde estou, de verdade, no meio de tudo isso. Eu que era cheia de certezas, hoje mal sei formular minhas dúvidas. Não sou capaz de dizer se estou doce ou amarga, se vou pelo caminho certo ou errado, apenas vou... E como ensina Alice Ruiz, talvez me entregue ao sabor de ser o que tiver de ser.

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